Boa viagem Gulliver

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Conforme prometido em conversas anteriores (Em busca dos livros perdidos), devolvi as asas para as Viagens de Gulliver, foi o primeiro livro que libertei para viajar por terras distantes e mentes desconhecidas. Não foi algo muito planejado, estávamos buscando Mandrake e Maria no aeroporto, e percebi que a oportunidade para libertá-lo estava por vir.

Despedidas são sempre complicadas, tentei ser o mais breve possível, mas como uma desastrosa primeira vez, as coisas não saíram como eu imaginava.

Missão impossível

Uma quinta-feira de movimentação normal no aeroporto, os vôos estavam normalmente atrasados, e ainda por cima alguém importante estaria descendo naquele momento, já que haviam muitos seguranças, ou será que o Mandrake aprontava novamente?

Mas tudo bem, não sou muito familiar com estes lugares, tudo era meio novidade, tentei me concentrar, teria de enviar Gulliver para longe, a área de embarque seria perfeita, fiquei meio receoso, já que estava me portando como um suspeito, quase um homem bomba, a estratégia era não olhar fixamente para ninguém, sentei-me e pus o plano em prática.

Não havia um plano, então fingi que lia o livro, peguei um lápis na mochila para escrever as “instruções” ao “receptor”, após alguns parágrafos falsamente lidos, percebi que o lápis era novo e ainda não tinha ponta para escrever, dei uma risada meio sem jeito para ninguém e falei baixinho:

- Pronto, agora eles me pegarão!

Me recompus ao lembrar que tinha um apontador (também nunca usado) na mochila.

Parecia que um senhor ao lado estava observando o que eu escrevia, então me encolhi todo, definitivamente estava fazendo uma bomba, nestas horas parece que todos estão sabendo dos seus planos. Após algumas frases redundantes e mal elaboradas sobre a idéia de compartilhar esta leitura e incentivar a continuidade da viagem do livro, fotografei esta experiência.

Nem quero saber o que os observadores ocultos pensaram.

Não estou perdido, estou viajando!

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Coloquei a mochila na cadeira ao lado, levantei-me colocando o livro atrás como se o estivesse colocando dentro da mochila. Olhei para os monitores, percebi que “meu vôo” estava chegando, peguei a mochila e sai a passos largos, sem olhar para trás, antes que a bomba estourasse ao som:

- Ei moço, esqueceu seu livro! - (KABUUM!)

Após alguns segundos de silêncio e aflição, subindo as escadas, notei que além de escrever muito mal, esqueci de mencionar o “Livro de Mochila”, quase voltei, seria uma excelente forma de divulgar a idéia (ou queimar meu filme com aquele texto), ainda mais para um viajante de aeroporto que sempre pode contar com horas de ociosidade para ler um bom livro.

Mas de qualquer forma, estava mais apreensivo com o fato de que na volta o livro poderia estar ali ainda, e ninguém tivesse despertado o interesse.

Não aguentei, em menos de cinco minutos voltei e encontrei uma senhora bem curiosa com o pequeno Gulliver em suas mãos, que alívio, deu vontade de abraçá-la, espero que as Viagens de Gulliver tragam novos sonhos e que ela compartilhe essas aventuras com mais pessoas.

Para finalizar, arrisquei fotografar aquele início de relacionamento, encontrei a chance perfeita, o dedo estava no gatilho e com o foco na posição, quando em frações de segundo fui iluminado pelo possível desastre do iluminado flash, por pouco não coloco tudo a perder, retirei o flash e registrei a foto borrada mais valiosa do mundo.

Boas viagens Gulliver e jovem Senhora, foi um prazer conhecê-los, que suas asas os levem para longe e que ao retornar a bagagem volte muito maior, sempre maior.

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Te quiero América inesperada

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Fiquei fascinado com a idéia de “Te quieto América”, um quadro da Denise Fraga no Fantástico, onde Francisco, um viajante descolado e alternativo, e Maria, uma aventureira de primeira viagem, desbravam a américa em busca de um ao outro e de si mesmos.

Como estou meio off-line da televisão perdi vários episódios, mas por sorte recuperei na internet, na própria globo.com é possível ver todos episódios e o blog com relatos da Denise, inclusive muitos livros serviram de companhia para ela e sua equipe, viajantes pensadores também dão uma palhinha no final dos episódios.

Vida resumida

Um dos desafios deste quadro é de em poucos minutos falar sobre os lugares visitados enquanto se desenvolve uma história entre os personagens, um desafio cada vez mais comum não somente na televisão, mas também na nossa vida, experiências e idéias, esses filmes tendem a ser cada vez mais rápidos e resumidos.

Devido a dificuldade do desafio, infelizmente é notável que o quadro recebeu dolorosos cortes, a própria Denise Fraga lamenta, eu lamento. Inclusive eu também estou revendo alguns pontos e tentando resumir minhas idéias, não é nada fácil, mas deixa isso para lá.

Experiências inesperadas

A questão principal, que eu deveria ter focado desde o começo, mas meus problemas sérios de desvirtuar de assunto não me largam, é das experiências inesperadas que nos ocorrem em viagens, geralmente fazem parte das melhores histórias e dificilmente são cortadas no filme de nossa viagem por aqui.

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Boas ou ruins, elas serão marcas profundas que podem mudar o rumo de nossa vida, não é somente com Francisco e Maria, é fácil encontrar drásticas mudanças nas rotas de grandes aventureiros devido a casos inesperados, o empurrão de acontecimentos não planejados sempre enriquecem nossa bagagem e ajudam na escalada até o topo.

Enfim, repito as palavras do Francisco no primeiro episódio.

- Eu só tenho uma mochila!

- Minha vida todinha cabe dentro dela.

Essa mochila ninguém resume, ninguém me tira, a deixo nas mãos da inesperada vida.

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Minha vida eu ponho para viajar

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Liberdade para viver, rodar e viajar, para por a vida para rodar.

Que vontade de libertar-me do tempo, do peso, ou do peso do tempo, se não é possível me liberto para aproveitar o tempo, as amarras não são fortes, basta coragem, e talvez um pouco de bom senso?

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Nada de bom senso, agora não!

Basicamente a coragem já é um desafio, coragem para libertar-se do que incomoda, da imposição, escravidão, do que dizem ser moda, da humilhação, pressão.

Coragem guiada pela pressão, do coração.

Corajosos são os motociclistas, alguns por obrigação, outros guiados pela liberdade do coração e emoção, mas convenhamos que o bom senso não é o forte desses corajosos que gostam da liberdade no rosto, muito boa para fazer uma viagem sob tempestades, pista escorregadia, agua escorrendo pelas costas, corpo duro e dolorido e nada de chegar no destino, realmente uma viagem emocionante, Che Guevara que o diga.

Usando essa emoção, o pessoal da Heads Propaganda preparou uma campanha simples e certeira, Minha vida eu ponho pra rodar, a principal ação é o vídeo “caseiro” com trechos da liberdade sobre duas rodas.

Forever young…

Como seria bom se nossa vida tivesse uma trilha sonora como esta (e não chovesse durante a viagem) :D.

Brincadeiras a parte, essa discussão sobre liberdade foi iniciada pelo Cezar Calligaris no Webinsider, comentando sobre a falta de atenção com a nossa first live, ele estava falando do mundo publicitário, mas claramente a viagem vai além, já que ele discute a liberdade para viver.

Libertai-nos das amarras da falta de tempo, ou dessa desculpa, para por a nossa vida para rodar, seja com duas, quatro, oito rodas, a pé ou nos trilhos, a pé pelos trilhos.

Só me resta uma mochila, um livro e a liberdade para viver.

Um dia eu ponho minha vida para viajar.

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Viagens de Gulliver por um mundo real

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capa_gulliver.jpgA inquietude do médico Lemuel Gulliver está me assolando, depois que este viajante iniciou suas aventuras por lugares incríveis, não conseguiu mais ficar parado enquanto o mundo girava para o lado errado.

Eu estava com sede das clássicas literaturas de viagem, então encontrei a coleção “Correndo Mundo”, de Fernando Nuno, que segundo ele, reune “as principais obras da literatura sobre outras terras e outras gentes - tanto reais quanto imaginárias -, recontadas de modo a preservar o seu encanto e atualidade“, caiu como uma luva para injetar uma inquietude desprovida de cura em minhas noites e planos.

Comecei com Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, recontado por Fernando, apesar de não ser a versão original, o seu peso continua sendo preservado e é perfeito para acompanhar uma viagem.

Gulliver conheceu lugares, culturas e povos estranhos (ou semelhantes?), mesmo tentando distanciar-se do egoísmo, discriminação e corrupção do mundo real, em suas viagens ele sempre acabava presenciando a exploração, guerras estúpidas e leis contraditórias, características até hoje vivas em nossa sociedade.

Inquietude

Acredito que seja difícil não se deparar com tudo isso em qualquer viagem, seja desta ou outra época. Mesmo sabendo de tudo isso, a inquietude de fazer a vida valer a pena, arriscar mais, seguir sonhos para conhecer povos e terras distantes estão me dominando e não sei até quando posso aguentar, alias, como diria o Mandrake, nosso colaborador para todas as horas, não sei porque cargas d’águas reprimo esta inquietude, no fritar dos ovos estou adiando o inevitável.

Falando no Mandrake, parece que ele foi atingido pelo espírito desbravador do Gulliver e está de partida para o novo (velho) mundo, em busca de muita aventura e novas experiências. A Mary se convidou para acompanhá-lo nesta viagem, inclusive tiveram a brilhante idéia de reservar um espaço na mochila para alguns livros, cientes de que poderão partir (e voltar) das viagens imaginárias enquanto esperam o vôo.

Poucos conhecem estes viajantes, não são muito ativos virtualmente, mas trazem muitas inspirações em nossos esporádicos encontros, um dia os descrevo melhor.

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Representação fiel de uma situação corriqueira

Com certeza Gulliver ficaria espantado se encontrasse estas figuras raras em suas viagens.


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Jonathan Swift

Autor da história original e um dos grandes autores irlandeses, nasceu em Dublin, filho de um advogado inglês expatriado de seu país. Retraído e leitor voraz, começou a escrever poemas ainda na adolescência. Só ganhou certa popularidade quando publicou, anonimamente, o “Conto do Tonel”, datado de 1704, época em que defendia ardorosamente o clero anglicano.

A fama de Swift como um dos maiores autores ingleses do século XVIII, se deve, em boa parte, ao fato de ter sido um dos maiores satiristas de todos os tempos. (Hamilton dos Santos)


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Fernando Nuno

Formado em Jornalismo e Letras pela USP, em História da Arte pelo Instituto Dante Alighieri, de Florença (Itália), e em Mitologia pela Viking Students, Fernando Nuno é também editor e músico.

Recebeu a distinção de Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Mora em São Paulo e atualmente se dedica à literatura e à música.


Viajando com o livro na mochila

Fernando Nuno e Jonathan Swift gostariam de viajar com você e as “Viagens de Gulliver” por:

  • Terras estranhas do distante oriente, perdido no idioma e cultura, sentado em uma grande e bela praça Japonesa, acompanhando o ritmo de vida de uma civilização diferente,
  • Londres e seus nublados dias, perto de tudo mas longe de casa, deitado sozinho naquelas praias de areia rochosa escutando o bater das ondas,
  • Países da mesma língua, caminhando pelas estreitas e históricas ruas de Lisboa, sendo surpreendido pelas diferenças culturais de um país tão próxima e mas com semelhanças tão distantes.

Enfim, Mary e Mandrake, quais livros vão acompanhá-los nesta viagem por terras longínquas?

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Escritores bem-aventurados

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Descobri que hoje (25/07) é dia do escritor, conhece este tipo de gente? Aquela pessoa que se aventurou na imaginação com as palavras e seus possíveis significados, um tipo meio estranho que acredita que um dia alguém entenderá o que ele quis dizer com “a bagagem sempre volta maior”.

Enfim, o André Gazola preparou algumas questões com o objetivo de dar vez a opinião de escritores (e aos que brincam de escrever) sobre o mundo livreiro e também tentar conhecer melhor os hábitos dos seus habitantes, então para obter o visto de entrada neste novo mundo, respondo a entrevista da imigração.

Vamos a primeira etapa:

  1. Veio a passeio, estudo ou a trabalho?
    A passeio, quero deixar muito bem clara essa intenção, pois estou fugindo de um outro mundo que insiste em me escravizar.
  2. Pretende ficar quantos dias?
    Serei franco, quero ficar para sempre, mesmo que me expulsem tentarei voltar ilegalmente, aliás, pretendo entrar sem muito dinheiro.

Visto aceito!

Na segunda etapa o entrevistador André é mais específico, possivelmente procurando brechas nas minhas pretensões.

  1. Que livro você está lendo?
    Terminei recentemente as Viagens de Gulliver e Moby Dick da coleção Correndo Mundo e depois de árduas madrugadas finalmente acabei com os Cem anos de solidão, atualmente estou levando na mochila: Na trilha das américas e A última viagem do lobo cinzento.
  2. Lembra do seu primeiro livro?
    Infelizmente não, mas considero “Cem dias entre céu e mar” de Amyr Klink um marco, o primeiro de muitos livros que me fizeram sonhar.
  3. No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
    Sinceramente não acredito que a quantidade seja uma informação relevante, engolir uma história sem mastigá-la não tem valor nutricional, mas de qualquer forma, acredito que leia em média dois livros por mês.
  4. Você tem um gênero favorito? Qual?
    Literatura de viagem, novas e antigas histórias de aventureiros reais ou fictícios, sempre são ótimas companhias para a viagem da nossa vida.
  5. Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores.Você tem ídolos escritores? Quais?
    Aprecio as obras destes artistas respeitosamente como toda obra de arte, mas não sou muito fã de ídolos. :p
  6. Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?
    Não faço distinção por gênero, etnia ou credo.
  7. A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?
    De forma alguma, diria que a internet traz muito mais benefícios do que ameaças, destacaria o acesso as obras públicas, formato digital, colaboração, liberdade de opinião, e lá se vai, se me aprofundar nessa discussão não terminaremos essa entrevista hoje.
    Contudo, se o ponto era a leitura do livro no formato atual, acho que é uma excelente ameaça ao arcaico papel, mas nunca ao livro, no dia que o e-paper ou leitores digitais se tornarem mais acessíveis teremos um grande avanço.
  8. AnalfabetismoSe você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
    Um verdadeiro desafio, ando pensando muito nisso, já que sinto dificuldade de incentivar este hábito em amigos e familiares.
    Já o analfabetismo, acredito que esteja perdendo seu gigantismo aos poucos, poderia ser muito menor se não fosse a “boa educação” dos governantes, esso sim é muito mais difícil de ser combatido.
  9. José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?
    Como diria o coiso, é melhor mudar de idéia do que não ter idéia para mudar.
  10. Uma frase para o Dia do Escritor:
    “A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos.” Marcel Proust

Rapaz, entrevista boa essa, juro que disse a verdade nada mais que a verdade, se receber o carimbo de entrada prometo não cometer ilegalidades. A não ser que seja ilegal deixar livros pelo caminho e trazer novos amigos para este mundo.

Parabéns escritores que até hoje são considerados aventureiros ao escolher essa profissão, estou aqui devido a vocês.

Parabéns aventureiros.

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Em busca dos livros perdidos

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Uma tribo está praticando uma interessante atividade, depois de ter viajado com as histórias dos livros, resolveram literalmente dar o gostinho de uma boa aventura aos próprios livros.

Eles são deixados ou “perdidos” propositalmente em lugares públicos, e despertam curiosidade nas pessoas que passam por um destes livros viajantes, ao que se aventurar em pegá-lo, será incentivado a dar continuidade a sua viagem.

Livros viajantes

Já havia pensado nesta hipótese, mas só fui criar coragem depois de encontrar outras pessoas (no mundo) fazendo isso. Começou em uma publicação do Alessandro Martins, que explica como fazer o seu livro viajar o mundo inteiro, neste momento me despertou a vontade de sair correndo cheio de livros embaixo do braço, jogando-os como se eu fosse um jornaleiro.

O Alessandro ainda faz destas, tentou inclusive utilizar o site Book Crossing, uma comunidade especializada nisso, poderia até rastrear as viagens de seus livros, infelizmente o uso do site não teve o sucesso esperado, mas não o impediu de sair perdendo seus livros por ai, como muitos outros.

Tudo bem, a idéia pode começar devagar, perdendo livros entre amigos e conhecidos, mas o que torna interessante é repassar a um desconhecido, e se possível tentar observar de longe o início de sua viagem, conhecer por estantes a pessoa com que você criou um laço de amizade.

As Livrarias Curitiba e suas afiliadas (Catarinense e Porto) também fazem parte desta tribo, criaram o projeto Passe adiante - Corrente da Leitura, já foram 3 anos perdendo livros pelo sul do Brasil, espero que não percam o pique, já que esta atitude é um bom exemplo para uma empresa privada, e para todos nós.

Viagem aprisionada

Tudo isso vem de encontro com a notícia dos livros mais vendidos e não lidos, onde os livros são aprisionados em lindíssimas estantes, possivelmente muito admirados mas jamais lidos, infelizmente estas obras nunca poderão ter, ganhar ou acompanhar uma viagem.

Confesso que já pensei em como seria interessante me ver sentado de frente a uma lareira, naquele inverno gostoso, e a sala emoldurada por uma estante enorme repleta de livros, melhor ainda se fosse uma estante com cadeira embutida.

Estante Cave
Cave, Uma Estante com Cadeira Embutida

Tudo isso pode ser resumido com o poema encaminhado por um colega de trabalho, apreciador de livros e vinhos.

Vinhos e Livros

Cardoso Marta

Da vida sábia e sem perda
Melhor exemplo não topo
Que um livro na mão esquerda
E na mão direita um copo.

Com igual fervor constante
Tua mão colide e agrega
Bons livros, na tua estante
Bons vinhos, na tua adega!

Contudo, vou deixar o vinho de lado, esperar ficar sóbrio e dar um jeito de esvaziar esta estante, aliás, acho que o vinho me confundiu, eu não tenho estante, os livros já criaram vida por aqui, quando não estão na mochila eles ficam onde bem entendem pela casa, deve ser reflexo da vontade de viajar.

Livro de mochila: Obrigado pelas asas e boa viagem

Obrigado pelas asas e boa viagem

Os livros dão asas a nossa imaginação, após a última página é preciso devolver as asas para que continuem o seu vôo a novos ninhos.

Então farei a vossa vontade e pedirei minha entrada para esta tribo, em poucos dias devolverei as asas a alguns livros e os libertarei, espero que tenham uma boa viagem e sempre recebam suas asas de volta.

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