Boa viagem Gulliver
Categoria: Livros perdidos Ver os 3 comentários »Conforme prometido em conversas anteriores (Em busca dos livros perdidos), devolvi as asas para as Viagens de Gulliver, foi o primeiro livro que libertei para viajar por terras distantes e mentes desconhecidas. Não foi algo muito planejado, estávamos buscando Mandrake e Maria no aeroporto, e percebi que a oportunidade para libertá-lo estava por vir.
Despedidas são sempre complicadas, tentei ser o mais breve possível, mas como uma desastrosa primeira vez, as coisas não saíram como eu imaginava.
Missão impossível
Uma quinta-feira de movimentação normal no aeroporto, os vôos estavam normalmente atrasados, e ainda por cima alguém importante estaria descendo naquele momento, já que haviam muitos seguranças, ou será que o Mandrake aprontava novamente?
Mas tudo bem, não sou muito familiar com estes lugares, tudo era meio novidade, tentei me concentrar, teria de enviar Gulliver para longe, a área de embarque seria perfeita, fiquei meio receoso, já que estava me portando como um suspeito, quase um homem bomba, a estratégia era não olhar fixamente para ninguém, sentei-me e pus o plano em prática.
Não havia um plano, então fingi que lia o livro, peguei um lápis na mochila para escrever as “instruções” ao “receptor”, após alguns parágrafos falsamente lidos, percebi que o lápis era novo e ainda não tinha ponta para escrever, dei uma risada meio sem jeito para ninguém e falei baixinho:
- Pronto, agora eles me pegarão!
Me recompus ao lembrar que tinha um apontador (também nunca usado) na mochila.
Parecia que um senhor ao lado estava observando o que eu escrevia, então me encolhi todo, definitivamente estava fazendo uma bomba, nestas horas parece que todos estão sabendo dos seus planos. Após algumas frases redundantes e mal elaboradas sobre a idéia de compartilhar esta leitura e incentivar a continuidade da viagem do livro, fotografei esta experiência.
Nem quero saber o que os observadores ocultos pensaram.
Não estou perdido, estou viajando!

Coloquei a mochila na cadeira ao lado, levantei-me colocando o livro atrás como se o estivesse colocando dentro da mochila. Olhei para os monitores, percebi que “meu vôo” estava chegando, peguei a mochila e sai a passos largos, sem olhar para trás, antes que a bomba estourasse ao som:
- Ei moço, esqueceu seu livro! - (KABUUM!)
Após alguns segundos de silêncio e aflição, subindo as escadas, notei que além de escrever muito mal, esqueci de mencionar o “Livro de Mochila”, quase voltei, seria uma excelente forma de divulgar a idéia (ou queimar meu filme com aquele texto), ainda mais para um viajante de aeroporto que sempre pode contar com horas de ociosidade para ler um bom livro.
Mas de qualquer forma, estava mais apreensivo com o fato de que na volta o livro poderia estar ali ainda, e ninguém tivesse despertado o interesse.
Não aguentei, em menos de cinco minutos voltei e encontrei uma senhora bem curiosa com o pequeno Gulliver em suas mãos, que alívio, deu vontade de abraçá-la, espero que as Viagens de Gulliver tragam novos sonhos e que ela compartilhe essas aventuras com mais pessoas.
Para finalizar, arrisquei fotografar aquele início de relacionamento, encontrei a chance perfeita, o dedo estava no gatilho e com o foco na posição, quando em frações de segundo fui iluminado pelo possível desastre do iluminado flash, por pouco não coloco tudo a perder, retirei o flash e registrei a foto borrada mais valiosa do mundo.
Boas viagens Gulliver e jovem Senhora, foi um prazer conhecê-los, que suas asas os levem para longe e que ao retornar a bagagem volte muito maior, sempre maior.


A inquietude do médico Lemuel Gulliver está me assolando, depois que este viajante iniciou suas aventuras por lugares incríveis, não conseguiu mais ficar parado enquanto o mundo girava para o lado errado.
Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
