Fotografar e viajar são ótimas companhias, inclusive, além das histórias de viajantes, as oportunidades de boas fotografias serviram como um bom estimulo para começar a viajar, mas felizmente hoje as coisas mudaram um pouco, a partir de alguns acontecimentos percebi que ao ganhar fotos, perdia fatos.

Estávamos passeando pela região de Urubici (serra caterinense), onde fomos presenteados com incríveis paisagens e um clima quase perfeito (esperávamos neve), após alguns minutos observando a pedra furada e os recortes das montanhas resolvemos que já bastava por ali, decidindo então partir para novas vistas.

Quando saíamos, uma família bem atrapalhada chegava e se arrumava para um piquenique, enquanto a mãe abria uma grande toalha, a gurizada, sobre protesto do pai, já corria para arremessar as primeiras pedras na tentativa de ouvi-las atingir o fundo.

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Observei aquilo tudo em poucos minutos, quase os mesmos minutos usados para enjoar da vista, ou seja, o tempo do cartão de memória registrar boas fotos e as insaciáveis lentes quererem novas paisagens.

Viagem não é nada, imagem é tudo

Antes mesmo de curtir a paisagem e amigos, sacávamos as máquinas já tentando enquadrar aquela beleza toda, e se não coubesse tudo em uma só, então que fossem vários cliques - E agora, tira uma comigo e a pedra no fundo, estou bonito?!

Estávamos sendo escravizados pela necessidade de registrar tudo antes que esquecêssemos ou para provar para os outros e a nós mesmos que estivemos ali, seria mais um ponto no mapa.

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Aquele esplêndido lugar não significou nada, a ida até ali foi para ver com as próprias lentes da maquina, onde mais tarde poderia ser “recordado” nos milhares vídeos e fotos. Possivelmente foram imagens assim que incentivaram a realização da viagem, elas são poderosas e atrativas, mas afinal, estávamos lá para curtir o lugar ou para tirar uma foto igual aquela da internet?

Acontece que hoje a foto parece mais uma da internet, as vezes até me questiono se é minha mesmo. Percebi também que a correria em uma viagem é tanta, que acabamos não vendo o lugar sem intermediação de uma lente.

Viver a viagem

Aquela família estava ali para curtir um belo dia, apreciando a paisagem e a companhia, conversando, brigando e se divertindo, estavam vivendo o lugar. Nós, ao contrário, já estávamos longe e sedentos de novas viagens, “contentes” em voltar para casa com a memória lotada de megabytes, sem espaço para experiências e novas idéias.

Tenho que voltar, alguém topa um piquenique a beira do morro da igreja?
Fiquem tranquilos, não vou proibir máquinas fotográficas, só vou jogá-las para ouvir atingir o fundo.
Mas só desta vez! :D