Descobri que hoje (25/07) é dia do escritor, conhece este tipo de gente? Aquela pessoa que se aventurou na imaginação com as palavras e seus possíveis significados, um tipo meio estranho que acredita que um dia alguém entenderá o que ele quis dizer com “a bagagem sempre volta maior”.

Enfim, o André Gazola preparou algumas questões com o objetivo de dar vez a opinião de escritores (e aos que brincam de escrever) sobre o mundo livreiro e também tentar conhecer melhor os hábitos dos seus habitantes, então para obter o visto de entrada neste novo mundo, respondo a entrevista da imigração.

Vamos a primeira etapa:

  1. Veio a passeio, estudo ou a trabalho?
    A passeio, quero deixar muito bem clara essa intenção, pois estou fugindo de um outro mundo que insiste em me escravizar.
  2. Pretende ficar quantos dias?
    Serei franco, quero ficar para sempre, mesmo que me expulsem tentarei voltar ilegalmente, aliás, pretendo entrar sem muito dinheiro.

Visto aceito!

Na segunda etapa o entrevistador André é mais específico, possivelmente procurando brechas nas minhas pretensões.

  1. Que livro você está lendo?
    Terminei recentemente as Viagens de Gulliver e Moby Dick da coleção Correndo Mundo e depois de árduas madrugadas finalmente acabei com os Cem anos de solidão, atualmente estou levando na mochila: Na trilha das américas e A última viagem do lobo cinzento.
  2. Lembra do seu primeiro livro?
    Infelizmente não, mas considero “Cem dias entre céu e mar” de Amyr Klink um marco, o primeiro de muitos livros que me fizeram sonhar.
  3. No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
    Sinceramente não acredito que a quantidade seja uma informação relevante, engolir uma história sem mastigá-la não tem valor nutricional, mas de qualquer forma, acredito que leia em média dois livros por mês.
  4. Você tem um gênero favorito? Qual?
    Literatura de viagem, novas e antigas histórias de aventureiros reais ou fictícios, sempre são ótimas companhias para a viagem da nossa vida.
  5. Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores.Você tem ídolos escritores? Quais?
    Aprecio as obras destes artistas respeitosamente como toda obra de arte, mas não sou muito fã de ídolos. :p
  6. Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?
    Não faço distinção por gênero, etnia ou credo.
  7. A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?
    De forma alguma, diria que a internet traz muito mais benefícios do que ameaças, destacaria o acesso as obras públicas, formato digital, colaboração, liberdade de opinião, e lá se vai, se me aprofundar nessa discussão não terminaremos essa entrevista hoje.
    Contudo, se o ponto era a leitura do livro no formato atual, acho que é uma excelente ameaça ao arcaico papel, mas nunca ao livro, no dia que o e-paper ou leitores digitais se tornarem mais acessíveis teremos um grande avanço.
  8. AnalfabetismoSe você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
    Um verdadeiro desafio, ando pensando muito nisso, já que sinto dificuldade de incentivar este hábito em amigos e familiares.
    Já o analfabetismo, acredito que esteja perdendo seu gigantismo aos poucos, poderia ser muito menor se não fosse a “boa educação” dos governantes, esso sim é muito mais difícil de ser combatido.
  9. José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?
    Como diria o coiso, é melhor mudar de idéia do que não ter idéia para mudar.
  10. Uma frase para o Dia do Escritor:
    “A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos.” Marcel Proust

Rapaz, entrevista boa essa, juro que disse a verdade nada mais que a verdade, se receber o carimbo de entrada prometo não cometer ilegalidades. A não ser que seja ilegal deixar livros pelo caminho e trazer novos amigos para este mundo.

Parabéns escritores que até hoje são considerados aventureiros ao escolher essa profissão, estou aqui devido a vocês.

Parabéns aventureiros.