A Arte de Viajar, um verdadeiro livro de mochila, talvez o responsável pela idéia do projeto. Novas histórias e lugares dão a luz novas idéias.

Ainda não consigo encontrar as palavras perfeitas para definir algumas emoções, pois sinto até medo de dizer algo a mais do que a orelha deste livro, então mudarei um pouco do assunto para descontrair, e depois deixarei a orelha falar tudo, mas prometo que isso não acontecerá com muita frequência.

Conheci este livro em uma época que estava perdendo um pouco o prazer de viajar, já estava me sentindo um viajante muito experiente, quase igual ao motorista novo que depois da primeira vez que atinge 100 km/h se acha o piloto profissional, achava que as experiências anteriores já bastavam para me considerar um especialista, então tudo começou a parecer mais estressante do que interessante.

Foi quando notei que as primeiras viagens eram muito mais divertidas que as atuais, algo não estava certo.

Mal sabia que estava entendendo tudo errado, os macetes aprendidos estavam me deixando mais preocupado com a segurança, tempo, custos e toda parte “burocrática” da história, encobrindo a beleza única das pessoas, culturas, paisagens e sentimentos que somente encontraria naqueles lugares.

Então antes de bater o carro pela falta de reflexo, conheci o livro do filosofo Alain de Botton, A arte de viajar, foi embaixo de uma árvore naqueles aconchegantes gramados da universidade (UFSC), “descobri” coisas que todos já sabemos, como nos livros de auto-ajuda, afinal é justamente esse o objetivo destes livros, nos lembrar do que já sabemos.

(Parênteses)

Na época do vestibular, minha maior motivação para entrar na UFSC eram estes gramados, mas só esta motivação não bastou para entrar, então sobrou tentar aproveitar agora que estou morando ao lado e vivendo uma vida atrasada de estudante.

Apesar de alguns momentos nos perdermos na viagem da mente dos pensadores que acompanham o autor e na sua própria mente, as palavras deste livro representam perfeitamente a “filosofia” do livro de mochila e são excelentes companhias para uma boa viagem, e no meu caso, ajudou a entender porque a viagem não foi como esperado e a prestar mais atenção em pequenos prazeres e coisas de uma viagem.

Recorte: Raridade com que as pessoas percebiam detalhes. Ele lamentava a cegueira e a pressa dos turistas modernos, especialmente os que se gabavam de ter coberto a Europa em uma semana de trem... Nenhuma mudança de um lugar para outro a cem quilômetros por hora irá nos deixar mais fortes, mais felizes ou mais sábios...

Mas se acontecer de se perder muito na viagem, tente aproveitar, pois uma das melhores coisas em uma viagem é se perder.

Queria falar muito mais, mas não quero tomar muito o tempo que vocês tiraram para descansar do planejamento das próximas férias, para finalizar dou a palavra a orelha.


£ Orelha

capa_artedeviajar.jpgPoucas coisas são tão empolgantes como a idéia de viajar para longe. Para algum lugar de clima mais ameno, costumes mais interessantes e paisagens mais inspiradoras. Por que, então, costumamos ficar tão insatisfeitos com a realidade concreta das viagens?

Em A arte de viajar, Alain de Botton, autor de As consolações da filosofia, nos propõe uma excursão pelas satisfações e decepções do ato de viajar. Aeroportos, tapetes exóticos, emoção das férias e frigobares de hotel; esse livro bem-humorado, esclarecedor e instigante revela as motivações, expectativas e complicações ocultas em nossas viagens pelo mundo afora.

Para acompanhá-lo nesse percurso, de Botton convida escritores, pintores e pensadores que foram inspirados pelo ato de viajar em todas as suas formas: Gustave Flaubert, Edward Hopper, Baudelaire, Wordsworth, Van Gogh, Ruskin - todos prontos para partilhar suas profundas impressões.

Antídoto perfeito para aqueles guias turísticos que nos dizem o que fazer, A arte de viajar tenta explicar por que realmente sentimos modestas sugestões de como poderíamos aprender a ser mais felizes em nossas viagens.

Recorte: O prazer que extraíamos de viagens talvez dependa mais da disposição mental com que viajamos do que o do destino para o qual viajamos... A receptividade poderia ser considerada sua principal características. Nós abordamos os lugares novos com humildade...


alain.jpgAlain de Botton

Nascido em 1969, Alain de Botton, autor de Ensaios de amor, O movimento romântico, Nos mínimos detalhes, Como Proust pode mudar sua vida e As consolaçoes da filosofia, todos publicados pela Rocco, é pesquisador e professor assistente na cadeira de filosofia do Departamento de Estudos Avançados da Universidade de Londres.


logo_livro_arvore.gifViajando com o livro na mochila

Alain de Botton gostaria de viajar com você e “A arte de viajar” …

  • na poltrona da janela de um vôo para um lugar desconhecido, admirando e sonhando com o que lhe espera ao aterrissar,
  • no quarto de um albergue, a meia luz para não incomodar seus companheiros de quarto,
  • embaixo de uma árvore em um domingo de manhã, no gramado da universidade.

Com este livro, qualquer seja a viagem que o acompanhe, fará com que você volte com a bagagem maior.

A bagagem sempre volta maior.