Ano novo, velho mundo

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Neste final de 2007 peguei uma carona com o espírito natalino, inclusive uso ele e outras coisas como desculpas para minha ausência virtual. Uma delas foi a mudança de rotina, que ainda tento me adaptar, é parecida com férias prolongadas, se é que me entende, não? Bom, estou contribuindo para o índice de desempregados no Brasil, mas no meu caso foi por livre e espontânea vontade.

Enfim, agora que aumentou o tempo para o ócio criativo (mas ainda pouco produtivo) fui buscar experiências diferentes, sentir novas emoções e essas coisas, sabe como é?

Alto lá!

Não vá se empolgando e pensando em sacanagens, pelo menos não desta vez. :D

O que eu quis dizer é que nesta admirável nova rotina, surgiram algumas idéias e coloquei em planejamento outras. Dediquei-me também a aventuras altruístas natalinas, confirmei novamente que não é precisa viajar longe para encontrar muita emoção e histórias, conto mais tarde sobre esta experiência.

Viagem ao velho mundo

Este ano de 2007 não foi significante em viagens reais, contrário das viagens imaginárias, que serviram como injeção para aproveitar melhor o bem-aventurado ano de 2008.

Começo então por uma aventura ao velho mundo, usando um pouco da insensatez que me sobrou da adolescência mal aproveitada, em janeiro de 2008 partirei para conhecer de perto e talvez fazer parte da história italiana, entrarei na bagagem da Raquel (Viaggiatrice del mondo libero) Dotta para acompanhá-la em uma aventura invernal pela terra da bota perdida.

Portanto, estou estudando o posicionamento geográfico pela observação do sol e estrelas, conhecendo línguas antigas, como também analisando os ventos e correntes marítimas, para que a viagem de redescobrimento da bota, por selvagens do novo mundo, não afunde no mediterrâneo.

perdidos.jpg

É claro, as melhores partes destas viagens são caminhos errados e problemas de comunicação, portanto, me preparei com a útil frase (Estou perdido, pode me ajudar?) em vários idiomas.

Alemão - Ich habe mich verlaufen, könnem Sie mir helfen?
(Ih hábe mih fêrláufen, quênem zi mía hélfen?)

Francês - Je me suis perdu, pouvez-vous m’aider?
(Je me suí perdi, puvêvu médê?)

Italiano - Mi sono perso, potrebbe aiutarmi?

Depois engato com “Desculpe-me, não falo sua língua” e pronto, a comunicação termina com sucesso e todos saem felizes, eu perdido e a pessoa sem entender nada!

A bagagem sempre volta maior

Já reservei um espaço na mochila para alguns livros e muitas histórias, tenho certeza que a bagagem voltará incrivelmente cheia e pesada, buscarei forças para carregá-la até o fim.

E que este fim esteja longe.

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A primeira viagem ao redor do mundo estranho

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Primeiro devo informar que por enquanto a minha primeira volta ao mundo ficará somente na literatura, infelizmente não fui selecionado para a próxima etapa do 2º Premio Volta ao Mundo, mas tudo bem, não tenho palavras para agradecer a todos pela força, desejo uma excelente viagem ao ganhador.


viagemredormundo.gifPara consolar minhas mágoas, virei madrugadas viajando com Fernão de Magalhães e seus marinheiros por uma viagem ao redor de um ainda estranho mundo, contada pelo italiano Antonio Pigafetta no livro e diário de bordo “A primeira viagem ao redor do mundo”. A versão quase de bolso (ou de de mochila) da L&PM me satisfez plenamente.

(Parênteses)

Foi mesmo a primeira viagem ao redor do mundo? Acho melhor não entrarmos nesse assunto, deixo para os historiados, agitadores, chineses e derivados.

A Heloisa Schürmann (Familia Schürmann) foi a responsável por me aventurar neste clássico, este livro regou seus 20 anos de sonhos e viagens ao redor do mundo.

Terra do fogo e de gigantes

Parece que Magalhães foi responsável pelos estranhos nomes que conhecemos hoje da Patagônia e Terra do Fogo, a Patagônia teria sua origem em relatos de gigantes de grandes pés, grandes patas, patagões, que Fernão teria encontrado nessa região.

logo_patagoes.jpg

Eu colaboro com esses mitos, também já ouvi histórias de viajantes mais atuais encontrarem pessoas realmente gigantescas pela região. Já a Terra do Fogo foi menos fantasiosa, ao cruzarem o futuro Estreito de Magalhães, os marinheiros viram muitas colunas de fumaça, então onde há fumaça? Terra do Fogo. No Brasil eram outras histórias que reinavam, como os índios que chegavam aos 140 anos, mal souberam que colaboraram para que hoje muitos não passem do primeiro ano.

Conquistas religiosas

Acredito que tanto os fiéis religiosos quanto os fervorosos céticos terão momentos de forte adrenalina com alguns episódios deste livro, são diversas histórias de conquistas religiosas na travessia de Magalhães, inclusive nos faz repensar o verdadeiro objetivo da viagem.

Os relatos sobre as estranhas selvagerias ligadas a última viagem de Fernão de Magalhães são tratados com naturalidade por Pigafetta, que também conseguiu misturar geografia, navegação, religião, misticismo e toques da ignorância humana de um mundo que parecia estranho, nada muito diferente 500 anos depois.

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No ritmo da volta ao mundo

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Incrível como pequenas coisas podem servir como uma injeção de ânimo, eu estava tentando organizar a bagunça da mochila, onde as idéias e planos tentam sobreviver em um caos ainda sob controle, quando o Adriano “Que viaja enquanto te escuta” Couto me mostrou um vídeo simples, com uma música simples, mas que de alguma forma me encheu de ânimo para pegar a mochila daquele jeito mesmo e seguir em frente.

Caso não veja o vídeo acima, acesse o link original.

Quando me dei por conta, estava batendo o pé, subindo o volume, levantando da cadeira e girando, girando junto com essa rápida volta ao mundo que o vídeo inspirou. Foi uma pequena injeção de ânimo enquanto não sai o resultado da semi-final do prêmio volta ao mundo, que nesta semana (23/11) deverá apresentar os verdadeiros finalistas.

Viajando conforme a música

Com a mochila aberta mesmo, caindo coisas e entrando outras, quero encontrar pessoas simples de sorrisos especiais, que não perderam o ânimo infantil de dançar conforme a música, enquanto outras estão surdas ou fingem que não escutam.


Atualizado em 30/11/2007: Infelizmente não fui selecionado para a próxima etapa, mas muitíssimo obrigado a todos pela força e boa viagem ao ganhador.

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Viajando com Moby Dick

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mobydick.gifA misteriosa baleia criava (talvez ainda crie) um fascínio incurável aos seus caçadores, sair vivo depois de encontrá-la era uma vitória, os relatos destes sobreviventes não eram simples histórias de pescadores, eram fabulosas histórias de pescadores de baleia.

Este clássico foi recontado por Fernando Nuno em mais um livro da coleção “Correndo Mundo”, a mesma do “As Viagens de Gulliver”, este por sinal está viajando novamente pelo mundo, talvez Moby Dick e seus caçadores sejam os próximos.

Segundo o Frederico “Sono mais pesado que baleia” Dubiel, o livro original não é bem um livro de mochila, pois é grande, pesado e digamos que não cansa somente as costas. Deixo então esse peso para as costas do Capitão Acab, que além de perder a perna para a baleia, perdeu boa parte do seu juízo e conseguiu de uma forma insana incentivar a todos tripulantes a caçar o temido cachalote branco.

Depois do primeiro contato com Moby Dick, os homens eram enfeitiçados pelo seu fascínio, persegui-la era uma objetivo de vida, nada tirava isso de suas cabeças, nem que tivessem que perdê-las. Contudo, Ismael, o narrador e tripulante, estava em outro nível de fascínio, no horizonte, no mar, na viagem.

Cuidado com sonhadores

O Ismael também dá uma alerta muito importante aos comandantes de barcos pesqueiros!

“Cuidado ao contratar rapazes de aparência sonhadora, magros e de olhos fundos; muito cuidado, pois as baleias tem de ser avistadas antes de serem caçadas. Um rapaz afeito as meditações levará o seu navio a dar dez voltas ao mundo sem avistar uma única baleia”

logo_lua.jpg

Quase neste exato momento a Daisy “Poetisa pirata” Carvalho passou gritando de longe em sua jangada a mil ventos misteriosos, que o capitão havia me visto fora do posto de vigia olhando para a lua e não para a baleia, tentei me organizar, posicionar e focar, mas antes de voltar ao posto viajei no alerta do Ismael:

… dez voltas ao mundo

Antes de voltar a terra novamente, não é que velozmente aquela pirata dos ventos poéticos voltou atacando a estibordo dando a última chance :

Pule agora desse barco fantasma, ele afundará junto com todos os tripulantes cegos pelo óleo da baleia, salte ao mar e corra o risco de se afogar sonhando com a lua.

Volto ao posto de trabalho ou me jogo ao mar?

Não sou bom nadador, posso me afogar, mas prefiro ver a lua turva pelo oceano que me cobre do que viver fingindo um caçador de baleias.

Bons ventos e correntes que me guiem.

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Viciados na Viagem

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Engraçado que sempre que tentamos descrever um sonho, o resultado geralmente é um tanto surreal e psicodélico, muito parecido com aquelas “viagens hippies”, mas nada de bad trip.

O que importa mesmo, sendo hippie ou não, é que geralmente depois que as pessoas experimentam da viagem, tornam-se viciadas e compulsivas, este vício infesta a mente e sonhos, se tornando as vezes um vírus transmitido apenas pelo convívio.

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Aconteceu comigo, confesso que sou viciado no barato da viagem, só leio, sonho, falo, assisto coisas derivadas, isso aqui é o resultado. Mas não estou sozinho e não somos poucos, a professora e psicopedagoga Daniela “Inquieta” Ramos notou este comportamento em seus pacientes e nela mesma, uma viagem parece marcar mais do que imaginamos e possui elementos que causam dependência, felizmente ainda não encontraram tratamento.

Sonhando com viagens

Esse vicio invade e muda nossos sonhos, dessa forma viagem e sonho andam juntos, mesmo que uma viagem não seja necessariamente a viagem dos sonhos, as coisas acontecem de formas parecidas, já que freqüentemente esquecemos da metade das histórias, tudo acontece muito rápido, as vezes sem sentido e com muitas emoções, foi pensando quase nisso tudo que o pessoal das Havaianas preparou comerciais bem viajandões …

Essa paz e amor, bem como um par de havaianas, merecem lugares reservados na mochila, e tem mais …

Em meio a toda essa nuvem de publicidade, viagens compulsivas, sonho (de profissão) e hippie (aquele olhar não me engana), podemos encontrar o Ricardo Freire caminhando com sua mochila e havaianas 43/44, ontem ele teve orgulho de calça-las, este viajante é o hospedeiro e transmissor do vício de viajar, agora ele está mais “experiente”, muito cuidado!

VnV - Viciados na Viagem

Este viajante já incentivou e guiou muitos novos membros no VnV (Viciados na viagem), tornou-se capitão do grupo e para mascarar a comunidade, trocou para VnV (Viaje na Viagem).

Demorei mas consegui fazer o gancho final, parabéns capitão.

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Uma viagem vale por mil imagens

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Fotografar e viajar são ótimas companhias, inclusive, além das histórias de viajantes, as oportunidades de boas fotografias serviram como um bom estimulo para começar a viajar, mas felizmente hoje as coisas mudaram um pouco, a partir de alguns acontecimentos percebi que ao ganhar fotos, perdia fatos.

Estávamos passeando pela região de Urubici (serra caterinense), onde fomos presenteados com incríveis paisagens e um clima quase perfeito (esperávamos neve), após alguns minutos observando a pedra furada e os recortes das montanhas resolvemos que já bastava por ali, decidindo então partir para novas vistas.

Quando saíamos, uma família bem atrapalhada chegava e se arrumava para um piquenique, enquanto a mãe abria uma grande toalha, a gurizada, sobre protesto do pai, já corria para arremessar as primeiras pedras na tentativa de ouvi-las atingir o fundo.

urubici1.jpg

Observei aquilo tudo em poucos minutos, quase os mesmos minutos usados para enjoar da vista, ou seja, o tempo do cartão de memória registrar boas fotos e as insaciáveis lentes quererem novas paisagens.

Viagem não é nada, imagem é tudo

Antes mesmo de curtir a paisagem e amigos, sacávamos as máquinas já tentando enquadrar aquela beleza toda, e se não coubesse tudo em uma só, então que fossem vários cliques - E agora, tira uma comigo e a pedra no fundo, estou bonito?!

Estávamos sendo escravizados pela necessidade de registrar tudo antes que esquecêssemos ou para provar para os outros e a nós mesmos que estivemos ali, seria mais um ponto no mapa.

urubici2.jpg

Aquele esplêndido lugar não significou nada, a ida até ali foi para ver com as próprias lentes da maquina, onde mais tarde poderia ser “recordado” nos milhares vídeos e fotos. Possivelmente foram imagens assim que incentivaram a realização da viagem, elas são poderosas e atrativas, mas afinal, estávamos lá para curtir o lugar ou para tirar uma foto igual aquela da internet?

Acontece que hoje a foto parece mais uma da internet, as vezes até me questiono se é minha mesmo. Percebi também que a correria em uma viagem é tanta, que acabamos não vendo o lugar sem intermediação de uma lente.

Viver a viagem

Aquela família estava ali para curtir um belo dia, apreciando a paisagem e a companhia, conversando, brigando e se divertindo, estavam vivendo o lugar. Nós, ao contrário, já estávamos longe e sedentos de novas viagens, “contentes” em voltar para casa com a memória lotada de megabytes, sem espaço para experiências e novas idéias.

Tenho que voltar, alguém topa um piquenique a beira do morro da igreja?
Fiquem tranquilos, não vou proibir máquinas fotográficas, só vou jogá-las para ouvir atingir o fundo.
Mas só desta vez! :D

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